Características da Arte Nova

   Lisboa Porto Aveiro Artistas

 

foi tardia e de pouca duração. Começou por volta de 1905 e acabou por volta de 1920, seguindo em particular os princípios estéticos da França.
Esta não vai passar de um mero episódio sem coerência nem continuidade, muito embora traga consigo o germe de uma nova linguagem.
Na Arquitectura, a Arte Nova cresceu subsidiária da arquitectura tradicional, mesmo tendo sido inovadora nos materiais e nas técnicas e de ser considerada uma arte bela como proporção, carácter e harmonia, intensamente original como expressão e conceito.
A Arte Nova interveio mais a nível da decoração, em trabalhos de serralheira artística, de cantaria ou de massa de cimento, ocupando portões, gradeamentos , varandas, escadarias, mansardas, molduras de portas e janelas, mísulas , florões , relevos e arabesco escultóricos com pouco volume, partes de fachadas ou mesmo, esporadicamente, fachadas inteiras, como as dos “palacetes dos brasileiros” ou integradas em contrucções mais antigas como a Padaria Inglesa, no Largo S.Julião n.º 8-14, em Lisboa, e no Animatógrafo do rossio. Os pequenos espaços comerciais, como padarias,leitarias , quiosques, cafés, restaurantes, lojas de modas, etc, eram os suportes priveligiados da Arte Nova.

                

Varandas - Prédio do Intendente, Taberna - Rossio, Loja - Rua Garret

 

 

Além na Arquitectura, outros princípios estéticos da Arte nova materializam-se também na pintura, como em alguns pormenores das telas decorativas de Luciano Freire, ou nos movimentos dos cabelos do Retrato de Minha Mulher, de Malho, ou ainda nas linhas dos panejamentos da bata de Amadeo de Souza-Cardoso, no seu Auto-Retrato;na cerâmica, como nalgumas peças de Rafael Bordalo Pinheiro e em alguns dos seus trabalhos gráficos para os períodicos; na azuleijaria, que terá um papel determinante, permitindo «vestir» com um certo «tom» internacional alguns edifícios, antigos ou contemporâneos. Os Azulejos destinam-se muitas vezes às fachadas de edifícios, embora se perca o uso de fachadas inteiramente azulejadas para se optar por uma decoração mais localizada nas zonas de coroamento,frontões ou remates de edifícios.Nestes casos desaparece a padronagem em favor de frisos decorativos ou composições figurativas, localizadas nos frontões. Trata-se de uma inovação na articulação da azuleijaria com os edifícios que provavelmente se devera à utilização de azuleijaria Arte Nova pelos arquitectos de princípio de século. Quanto à pintura e temas da azuleijaria Arte Nova de produção corrente, apesar de casos particulares, não se produzem grandes criações emblemáticas: reduz-se o formulário ornamental a declinações florais e animais, onde pontuam , por vezes, cabeças femininas de cabelos esvoaçantes enquadradas por cercaduras desenhadas com os enrolamentos e ondulações típicas dos modelos importados. O acentuado sentido decorativo do desenho é sublinhado por um cromatismo muito desenvolvido, em tons pastéis ou nos acordos e contrastes que as novas tecnologias facilitam.

 

Alguns exemplos de Arte Nova:

 Lisboa

 No prédio do Largo do Intendente, de 1908, não só recorre a azulejos decorativos claramente influnciados pelo novo gosto, como ainda vai utilizar no desenho dos gradeamentos das varandas uma profusão de motivos geometrizados de animais- a borboleta, o caracol, o ganhafanhoto, o cisne, etc,- num sistema formal deliberadamente intricado, além de peixes e girassóis esculpidos em pedra, numa exuberância que contrasta com o apagado e eclético desenho do próprio prédio.

 

            

            Prédio do Intendente

 

Este tratamento geometrizante de motivos do reino animal, sobretudo tomando como tema a borboleta, vai aparecer em várias arquitecturas da época, como , por exemplo, nos portões da Casa-Atelier Malhoa, de Norte Júnior, casa destacada com o Prémio Valmor.
Dos poucos exemplos de arquitectura com referência Arte Nova em Lisboa, alguns casos são inevitavelmente referíveis, como o do animatógrafo e a leitaria A Camponesa, ambos na Rua do Arco do Bandeira,ao Rossio, a Padaria Inglesa, na Rua de São Jaulião, junto à Praça do Município, e o prédio da Rua das Janelas Verdes. O Animatógrafo é de 1907 na qual é de sublinhar o seu carácter cheio, gordo, orgânico, na parte mais original, a que rodeia os vãos, e a que esclarecedoramente se pode contrapor o elemento inserido nas bandeiras das portas, de uma concepção geométrica plana, convencional, claramente produto de cópia. Um segundo aspecto a sublinhar em relação ao Animatógrafo é essas molduras de maior originalidade e organicidade que se destribuiem a envolver os vãos, conferindo-lhes particular relevo.

 

                

                    Animatógrafo do Rossio

 

 

A leitaria A Camponesas é de 1908, e o seu interesse é o de constituir um dos casos em que existe um diálogo de alguma coêrencia ente o tratamento interior e o tratamento exterior, o que mesmo no Animatógrafo não acontece, já que da tárgida decoração da fachada nada transparece dentro da sala, assegurando aí A Camponesa uma unidade que nenhum dos outros casos apresenta. Mas é de reparar o interessante tratamento das ombreiras da porta, tratamento apenas timidamente assumido na verga.O que está em jogo não é já a criação de um diálogo vão/superfície, comose destaca no exemplo do Animatógrafo, mas unicamente o tratamento das superfícies em si mesmas, numa atitude muito menos original e de simples decoração, sem que o próprio desenho ultrapasse o nível de adequada adaptação gráfica das imagens divulgadas nos magazines da época.

 

 

          

Leitaria a Camponesa, interior e exterior

 

No caso do prédio da Rua das Janelas Verdes, é de ter em atenção a evidência de nele se pretender estruturar toda a superfície através de um quadrícula reguladora, capaz de conferir disciplina e animação à fachada, o que é de alguma maneira contraditório com a dinâmicade tensões típica das preocupações Arte Nova.

 

                

                       Rua das Janelas Verdes

 

No caso de Ventura , o Azulejo Arte Nova, longe de fomentar o rompimento do enquadramento oitocentista ainda vigente, vai servir como decoração disciplinadora, que de alguma maneira verifica esse mesmo enquadramento.
No caso da Padaria, é mais trabalhado o interior, que contém azulejos de Rafael Bordalo e uns capitéis de elementos vegetalistas, do que o exterior, constituíndo por um caixilho de ferro e de desenho imediato sem muita afinição formal,dentro de um gosto completamente diferente, neoclassicizante, onde apenas na nascença dos arcos dos vãos parecem surgir reduzidos elementos, formalmente correspondentes às preocupações do interior.

 

          

           Padaria de S. Roque

 

Outra Padaria, a Padaria Inglesa, representa ainda uma situação também muito típica, que é a de uma fachada moldurada na qual o material, o ferro, vai obrigar a um desenvolvimento formal praticamente plano, linear,sem audácias volumétricas que a madeira permitiu no Animatógrafo.
São vários os exemplos em Lisboa que podem ilustrar este tratamento.

 

Padaria Inglesa, Largo S. Julião

 

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Porto

No Porto há que referir o edifício da Rua da Galeria de Paris, revestido a pedra , como aqui acontece com frequência bem maior do que em Lisboa. Os motivos vegetalistas, de traçado erudito, são esculpidos com grande correcção, dominando a fachada uma ampla janela redonda de influência oriental, mas de origem chinesa, que não japonesa.
Embora aqui os motivos Arte Nova envolvam os vãos e de alguma maneira os realcem, de facto, nunca verdadeiramente se comprometem com eles.
Ainda no Porto, o edifício da Rua Cândido dos Reis apresenta, a nível do primeiro andar, uma janela de três elementos unidos pela aplicação de uma estrutura de ferro de cuidado desenho, sendo de sublinhar que em todos os casos apontados na cidade do Porto existe,além do mais, um coerente tratamento da caixilharia, que torna mais consistente a utilização do vocabulário Arte Nova, o que praticamente não acontece nos casos de Lisboa.

 

Prédio, Rua Cândido dos Reis

 

Aveiro

 

A Arte Nova de Aveiro também não passa despercebida, tem um entendimento um pouco rudimentar, mas em que, principalmente num dos casos, apresenta uma isolada tentativa de fazer articular o novo gosto ao nível de um certo agenciamento espacial que,embora um pouco fruste, não deixa de ser o único exemplo em que essa articulação é tentada.

 

Interior de casa, Aveiro

 

Artistas d


Roque Gameiro

Planeou, estudou e desenhou a maior parte da sua casa.
Participou na concepção dos painéis e motivos cerâmicos que decoram o exterior da sua casa. Azulejos figurativos contendo alegorias à aguarela e à litografia, técnicas por ele desenvolvidas, decoram as fachadas da casa e associam-na, de forma inequívoca, ao seu proprietário.
Quase todo o seu interior é decorado com azulejos de padrão, dispostos em silhares ou pequenos frisos que formam rodapé e sancas, ou rematam vãos de janelas e portas.
Autor das ilustrações para os ”Quadros da História de Portugal”.

Raul Lino
Arquitecto de profissão, em 1899 assina o projecto para o pavilhão português da Exposição de Paris de 1901 e em 1901 constrói a Casa Monsalvat no Monte Estoril, para Rey Colaço.
Lino defendeu a recriação artesanal dos objectos e a intervenção criativa do artesão, em vez do trabalho mecânico que sempre combateu. Lino aproximou-se
Lino mandou fabricar todos os azulejos na Fábrica de Cerâmica Constância.
É autor de uma das mais belas lojas lisboetas dos anos 10, a Gardénia, na Rua Garret, com uma fachada em ferro.
São raros os projectos urbanos de Raul Lino, que fez uma longa e prestigiada carreira quase só a projectar casas unifamiliares, a maioria das quais fora das cidades. Das primeiras que realizou, a mais importante foi Monsalvat (1901), no Monte Estoril, para o músico Alexandre Rey Colaço. É também autor de um projecto duma barbearia que antes de 905 se inaugurou na Baixa e que representou uma simples curiosidade internacionalizante na sua obra nacionalista. É autor do projecto de pavilhão para a Exposição de Paris (1900).



Rafael Bordalo Pinheiro

Caricaturista por excelência, e ainda dedicou-se à cerâmica e azulejaria, excepcionais pela inventiva formal, grande decorativismo e técnica aperfeiçoada, especialmente os esmaltes utilizados que recriam deslumbrantes reflexos irisados.
Autor dos azulejos da sala principal e de outros elementos cerâmicos da Casa Roque Gameiro, realizados na Fábrica na Fábrica de Faianças Artísticas das Caldas da Rainha.
A tradição naturalista da louça popular foi transfigurada pelas tendências revivalistas e historicistas, desde as formas mouriscas, manuelinas e barrocas à multiplicidade de elementos eclécticos, atravessado pela inconfundível veia caricatural do autor, e nos últimos anos enriquecida pela assimilação da estética Arte Nova. Inaugurou as decorações da Tabacaria Mónaco, no Rossio e, de duas cervejarias rivais: a Trindade e a Jansen.


Luís Ferreira
Criou os azulejos mais interessantes da época nomeadamente os da frontaria da loja da fábrica Viúva Lamego, no Intendente, de 1865, os de outro conjuntos como os azulejos da Cervejaria Trindade, os de uma fachada do Largo Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa.


Jorge Colaço
Pintor de azulejos na Fábrica de Sacavém.


Carlos Afonso Soares
Pintor de azulejos na Fábrica de Sacavém


Luís Cardoso
Pintor de azulejos na Fábrica do Desterro


Carlos Alberto Nunes
Considerado o melhor pintor de temas arte nova.
Criador dos azulejos Arte Nova, para o Hospital de Sant’ana, na Parede, de 1904.



Viriato Silva
Colaborador na Fábrica de Cerâmica Constância, como pintor e modelador.
Os seus azulejos seriados feitos com estampilhas manuais, painéis e composições Arte Nova pintadas, composições relevadas do mesmo estilo (como as da fachada de um prédio da Rua das Janelas Verdes, que pertence à fábrica, e as molduras dos painéis do desaparecido Café Royal, no Cais do Sodré, hoje no Museu da Cidade).


José António Jorge Pinto
Colaborador na Fábrica de Cerâmica Constância, como pintor.
Principal criador do estilo Arte Nova, o qual realizou em azulejos alguns projectos desenhados por Raul Lino, entre os quais duas composições de 1905 alusivas à “Agricultura” e às “Artes”, parta a Casa dos Patudos, em Alpiarça (para onde Jorge Pinto criou directamente outros azulejos), sendo bastante provável que também tenha sido o executante dos painéis da casa de Roque Gameiro.
Autor de numerosas composições e de painéis alegóricos para quiosques e leitarias.
No pavilhão no Cais Sodré, em Lisboa, encontra-se um painel arte nova pintado representando “A Gaivota” através de formas sensuais.



Manuel Joaquim de Jesus Freitas
Autor do revestimento de padronagem revelada e cimalha formada por um friso e frontão semicircular com decoração arte nova do prédio na Rua da Praia da Vitória, em Lisboa, datado de 16/7/1913.